Friday, February 05, 2010

HARRISON AND McCARTNEY

A canção All Things Must Pass, de George, só foi lançada no seu álbum de 1970, e com o mesmo nome, o triplo All Things Must Pass.

Na postagem de hoje você ouvirá uma mixagem de George e Paul cantando juntos a canção, porém são gravações do final dos anos setenta, apesar de George ter tocado essa canção na época das Get Back Sessions quando ainda fazia parte dos Beatles.

E agora ouça All Things Must Pass, com George e Paul! Cool!

George & Paul – All Things Must Pass (mix)

Thursday, February 04, 2010

MILK AND... SHOUT!

No dia 11 de fevereiro de 1963 os Beatles eram esperados nos estúdios da Abbey Road para a gravação do seu primeiro álbum: Please Please Me.

O disco precisava ser gravado em uma sessão de dez horas, num único dia. Para complicar um pouquinho, John chegara resfriado da turnê dos Beatles com Helen Shapiro e se encontrava com o peito congestionado. Chegando em Londres eles foram diretamente para os estúdios e gravaram de início There's a Place, uma composição de Lennon/McCartney.

Logo de cara ficou claro que a voz de John estava áspera, rascante, pois no decorrer da primeira palavra - The e e e ere - ele luta para acompanhar Paul, quase rosnando à medida que a frase mais grave abre caminho para a dinâmica tensa do dueto. Cheque como estava voz de John em There's a Place naquele momento:



Bom, quando faltava apenas uma música para fechar o dia de gravações, o engenheiro de som sugeriu que eles cantassem Twist And Shout, uma canção escrita por Phil Medley e Bert Russell (gravada em 1960 por um grupo vocal chamado Topnotes e em 1962 pelo grupo The Isley Brothers), que sempre animava as platéias nos shows e seria o desfecho ideal para aquele primeiro disco. Ouça a canção original gravada pelos Topnotes e depois compare com a versão dos Beatles...



Mas acontece que, segundo George Martin: "- Twist and Shout era uma verdadeira destruidora de laringes.", e quem a interpretava? John! E ele estava em condições? Segundo ele próprio: "- Naquele momento eu sentia como se tivesse uma lixa na minha garganta, mas insisti dizendo que ainda havia o suficiente para mais uma canção.".

Todos sabiam que teriam que acertar de primeira: a banda, o engenheiro, todos precisavam fazer seu trabalho sem perder uma única nota, e sem um único erro. Não sobraria nada da voz de John depois daquilo.

Assim, ele chutou as inúmeras caixinhas de pastilhas que chupara o dia todo, abriu uma caixa de leite e bebeu ruidosamente. Depois livrou-se da gravata, há muito afrouxada, e da camisa também, deu um sinal e começaram...

A cada frase da música o rosto de John contorcia de dor, as frases saindo feito areia entre os seus dentes. Sua voz saía nua, seca e com toda a ressonância descascada dos tons. Aquilo foi dolorido, e doía ao ouvir também. A medida que a canção caminhava para momentos de grande intensidade a dificuldade aumentava. No refrão final o esforço, buscado lá no fundo da alma, mascarou todas as palavras, e a linha final fora finalmente cruzada no grito estupefato de Paul, que custava a acreditar no que ouvira: "- Hey!".

John estava exausto, quase à beira de um colapso! Mas valeu a pena: a Twist And Shout gravada naquele dia se tornaria uma obra-prima dos Beatles! Curiosidade: foram gravados dois takes para ela e George Martin disse: "- Eu cheguei a tentar um segundo take... mas a voz do John simplesmente tinha desaparecido.".

Você sabia disso tudo? Então apure os ouvidos, ouça e admire ainda mais a Twist And Shout de apenas um único take, no grandioso dia de 11 de fevereiro de 1963! Enjoy!

Saturday, January 30, 2010

OK, BOYS? OK, JOHNNY!

Take número cinco da música Run For Your Life, do disco Rubber Soul, de 1965. No início John, como o autêntico líder, faz alguns comentários e pergunta se os rapazes estão prontos. Parece-me que é George quem responde numa voz bem engraçada: "- Ok, Johnny!". Cool! Listen!

Run For Your Life (take 5)

Wednesday, January 27, 2010

I CAN'T HIDE

Prepare-se: você será transportado para as Get Back Sessions, numa tomada de aproximadamente dezessete minutos, na Apple Studios, início de 1969. Se mesmo assim você quiser ouvir mais, relembre outro post sobre a canção de hoje clicando aqui.

Agora ouça momentos mágicos da construção da sensacional I've Got a Feeling! Relax and enjoy!

I've Got a Feeling (construction)

Thursday, January 21, 2010

MEMORIES

Two Of Us é uma canção de Paul, atribuída à Lennon / McCartney, que foi lançada no álbum Let it Be, o penúltimo, porém último a ser lançado, em 1970.

O post de hoje é uma gravação oriunda das Get Back Sessions de Two Of Us com um detalhe: Paul fica ausente durante algumas frases e a voz de John se destaca. Logo Paul volta a cantar com ele.

Depois, clique aqui para relembrar a postagem do dia 19 de janeiro de 2009, chamada YOU AND I que também fala da canção e traz um outro outtake. Ok, John!

Two Of Us (sung by John)

Saturday, January 16, 2010

SHE IS FREE

She's Leaving Home foi lançada no álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band de 1967.

A canção surgiu quando Paul leu uma notícia no jornal Daily Mail em 17 de fevereiro de 1967 que contava a história de uma garota de 17 anos que saíra de casa sem seus pais saberem e que ainda não havia mencionado o seu paradeiro. Contava ainda que o pai estava sem saber o porquê daquela ação da filha, pois ela tinha tudo o que queria em casa...

Em cima desses poucos fatos, Paul criou a melodia e a parte da letra que narra os passos da garota imediatamente após ter fugido de casa. Quando ele mostrou para o parceiro a canção, John a completou com o refrão simbolizando os pais e idealizou o modo como ela deveria ser cantada: como um lamento ante o fato ocorrido.

O coro da canção ("Sheee....is leavinnnn'....hoooome") contraposto ao refrão do lamento dos pais cantado por John - com duplicação de voz (overdub) - cria um efeito musical mágico e impressionante.

A gravação teve início no dia 17 de março de 1967 com seis tomadas, só participando a orquestra de cordas. Difícil de acontecer, porém o take 1 foi considerado o melhor. No dia 20 de março foram gravadas as vozes, o coro e o refrão. O coro e o refrão receberam overdub (duplicação de canal).

Nesta canção nenhum dos Beatles tocam qualquer instrumentos. Só participa uma orquestra de cordas com músicos contratados.

A idéia de utilizar uma pequena orquestra foi de Paul. Com esta proposta na cabeça, ele telefonou para George Martin. Sempre disponível em outras ocasiões, desta vez ele estava envolvido com uma outra produção, já que era um produtor independente e não trabalhava só com os estúdios Abbey Road. Não tendo a paciência de esperar uns dias a mais, Paul procurou outro profissional a quem passou a tarefa de criar um arranjo para esta melodia. Este arranjador era Mike Leander que realizou o trabalho. George Martin ficou magoado pela impaciência de Paul, mas mesmo assim foi ele quem coordenou a pequena orquestra e realizou a gravação com ela. Grande George Martin! Obrigado por sempre ter ouvido, experimentado, 'feito mágica' e perdoado os intempestivos gênios dos "seus" meninos...

A gravação que você vai ouvir agora é de um take alternativo onde foram adicionadas mais algumas cordas entre os versos cantados por Paul e há, no início, um suporte vocal a mais. Cool! Enjoy!

She's Leaving Home (alternate - support vocal and more strings)

Tuesday, January 12, 2010

THEATRICAL TRAILER

Yellow Submarine é um álbum trilha-sonora que corresponde ao filme de desenho animado, que tem o mesmo título, lançado em janeiro de 1969.

Nele, somente as seis músicas do lado A são do grupo e apenas quatro delas são inéditas e ainda assim foram gravadas entre 1967 e 1968.

A história do filme se passa na cidade de Pepperland, quando os Blue Meanies atacam a cidade para acabar com o amor, a música e as cores. É quando os Beatles entram em ação a bordo do submarino amarelo para acabar com eles. O filme é recheado de músicas e cores psicodélicas e é considerado um marco na animação, porém na época os Beatles não levaram como um projeto primário. Quando a King Features fez alguns curtas animados baseado nos Beatles (isso no auge da Beatlemania) eles tiveram carta branca de Brian Epstein para fazer um longa metragem sobre os Beatles com base em Fantasia, obra de Walt Disney. Porém com o trabalho sempre adiado e após a morte de Brian, a empresa cobrou que fosse cumprido o trato. Os Beatles abriram a Apple Films subdivisão da Apple e decidiram resolver esse problema dando 6 músicas para a trilha sonora, mais todo seu catálogo de músicas para ser usado no filme e George Martin se prontificou a fazer a trilha musical, que completou o restante das faixas. Os Beatles não gravaram as vozes para o desenho e nem sequer acompanharam o roteiro e produção, segundo George Harrison: “ -Tivemos um ou dois encontro com eles, não estávamos a par da produção, quase não nos envolvemos.”. George Martin disse que eles agiram mais ou menos assim: “ -Está bem, vamos dar a esses caras a maldita trilha, mas sem nos estafarmos. Vamos colocar o que nos der na telha.”.

Após o lançamento do filme, os Beatles adoraram e se arrependeram de não terem feito as vozes originais, agendaram uma reunião para relançar com as vozes, mas com o final da banda esse projeto não foi pra frente.

A seguir um pequeno trailer do filme. Enjoy!

Yellow Submarine - movie (theatrical trailer)

Sunday, January 10, 2010

PEPPER NAKED

Ouça apenas o canal das vozes de Paul, John e George na extraordinária faixa Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band, do Álbum do mesmo nome, lançado em 1967. Show!

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (voices)

Saturday, January 09, 2010

RINGO'S VOICE

E o Ringo? Claro! Ouça o canal das vozes na sensacional With a Little Help From My Friends, onde a voz de Ringo salta límpida e depois os backings de Paul, John e George!

With a Little Help From My Friends é do Álbum Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band, gravado entre 6 de dezembro de 1966 e 21 de abril de 1967, nos estúdios da Abbey Road. Enjoy!

 With a Little Help From My Friends (voices)

Friday, January 08, 2010

GIVE US SOMETHING, JOHN!

O Álbum Let it Be, décimo terceiro e último disco dos Beatles, foi gravado em janeiro de 1969, porém só foi lançado em maio de 1970.

Das suas gravações pincei essa tomada onde ouvimos John se arriscando, sem muito entusiasmo é bem verdade, nos vocais de Something de George, que seria lançada em single (primeiro single dos Beatles contendo uma música de George no lado A - no lado B figura Come Together) e depois apareceria no álbum Abbey Road.

Como não era todo dia que podíamos ouvir John Lennon cantando, ou cantarolando Something, vamos ouvir atentamente! Cool! Listen!

Something (sung by John)

Wednesday, January 06, 2010

IT'S EASY

All You Need Is Love é o nome de uma das mais populares canções dos Beatles e foi lançado em single, no álbum Magical Mistery Tour (EUA) e no álbum Yellow Submarine (UK), no mês de julho de 1967.

Na época, a equipe da BBC convidou os Beatles a participarem do primeiro evento transmitido mundialmente via-satélite, ao vivo, simultaneamente para 26 países. Esse trabalho envolveu redes de TV das Américas, Europa, Escandinávia, África, Austrália e Japão.

Foi então solicitado que eles escrevessem uma música cuja mensagem pudesse ser entendida por todos os povos do planeta. John e Paul começaram a trabalhar separadamente em diferentes letras, até que John acabou escrevendo esse clássico que se encaixou perfeitamente ao objetivo proposto, pois a mensagem de amor contida na canção poderia ser facilmente interpretada ao redor do mundo.

A transmissão mundial dessa apresentação, que foi ao ar em 25 de junho de 1967, acabou divulgando ainda mais o nome dos Beatles, tornando-os mais famosos em todo o mundo.

Hoje você vai ouvir o take 58 da canção. Ok, boys!

All You Need is Love (take 58)

Monday, January 04, 2010

WITH JIMMY

O baterista britânico James George Nicol, Jimmy Nicol, nasceu em Londres no dia 3 de agosto de 1939 e ficou mundialmente conhecido por ter sido um integrante temporário dos Beatles.

Tudo aconteceu porque, um dia antes dos Beatles saírem em turnê, em 3 de junho de 1964 pela Escandinávia, Holanda e Austrália, Ringo foi vítima de uma faringite que o levou a ser hospitalizado. Sendo muito em cima da hora, e sem possibilidades para adiar a turnê, George Martin sugeriu um baterista de estúdio para substituir Ringo. Seria ele, Jimmy Nicol, então com 24 anos.

Apesar da relutância dos outros três beatles em partir sem Ringo, tanto George Martin quanto Brian Epstein conseguiram convencê-los.

Jimmy já estava familiarizado com as músicas do grupo, tendo tocado bateria numa compilação denominada Beatlemania; e após ter recebido um corte de cabelo beatle partiu com o grupo em turnê.

Jimmy Nicol também ficou conhecido por ter "contribuído" para a música Getting Better, que viria a ser lançada em 1967 no álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, não em termos de composição, mas pela sua típica resposta "- It's getting better" toda vez que um dos três beatles lhe perguntava como estava indo.

Depois de recuperado, Ringo voltou para a banda no dia 15 de junho em Melbourne, Austrália. Leia mais clicando aqui.

Pela sua contribuição, Jimmy Nicol recebeu 500 libras esterlinas e um relógio de ouro Eternamatic com a gravação "From the Beatles and Brian Epstein to Jimmy - with appreciation and gratitude".

Após ter substituído Ringo, Jimmy e seu grupo Shubdubs gravaram um single denominado Husky/Don't Come Back mas que não teve sucesso comercial.

Nas palavras do próprio Jimmy:

"- Os rapazes foram muito gentis mas eu me sentia como um intruso. Eles me aceitaram, mas não podemos entrar assim num grupo como aquele... Eles têm sua própria atmosfera, seu próprio senso de humor. Algo que não é fácil para alguém de fora se adaptar.".

E o blog separou três momentos dessa aventura inusitada. O primeiro deles é um pequeno ensaio de Jimmy nos estúdios da Abbey Road. Logo após, os Beatles, com Jimmy, tocando e cantando Long Tall Sally ao vivo na Holanda. E por fim, a despedida de Jimmy. Cool! Enjoy!

Rehearsal - Jimmy Nicol - Abbey Road


Long Tall Sally (live - with Jimmy Nicol - Netherlands)


Farewell, Jimmy!

Thursday, December 31, 2009

HERE COMES

Beatlepeople! Que em 2010 nosso sucesso seja 20 vezes multiplicado por 10! Que a magia beatle esteja mais ainda reforçada, pois de onde ela vem (corações de John, Paul, George e Ringo) o amor fez de lá uma de suas mais resistentes moradas!

Happy new year!

Medley

Friday, December 25, 2009

HAPPY XMAS!

Tuesday, December 22, 2009

PEOPLE TELL ME I'M LUCKY

Every Little Thing é uma canção de Paul, creditada à dupla Lennon / McCartney, que foi lançada no álbum Beatles For Sale em 4 de dezembro de 1964.

O álbum foi gravado numa correria louca para poder estar nas lojas antes do Natal. Clique aqui para ler mais sobre essa gravação.

And now press play abaixo e acompanhe o take 4 da canção. Ok, boys!

Every Little Thing (take 4)

Wednesday, December 16, 2009

SHE'S MAKING ME FEEL LIKE I'VE NEVER BEEN BORN

No final de agosto de 1965, Brian Epstein, empresário dos Beatles, tinha alugado uma casa na 2850 Benedict Canyon Drive em Beverly Hills, California para descanso dos rapazes durante outra excursão norte-americana.

A casa enorme, em estilo espanhol, ficava comprimida no lado de uma montanha. Logo o paradeiro da banda se tornou extensamente conhecido e a área foi sitiada por fãs que bloquearam estradas e tentaram escalar a encosta íngreme, enquanto outros alugaram helicópteros para xeretar pelos ares.

A polícia destacou uma esquadra tática de oficiais para proteger a área e a casa. Ali os Beatles receberam vários artistas para eventuais festinhas, dentre eles Eleanor Bron (que co-estrelou com eles em Help!), Peggy Lipton e a cantora folk Joan Baez.

Certa feita, eles foram anfitriões da banda Byrds e o ator Peter Fonda, filho de Henry Fonda, e todos, menos Paul McCartney, tomaram LSD.

Neste dia, Peter Fonda, em viagem lisérgica, abordou John várias vezes para contar que levara um tiro acidental quando era jovem e que sabia como era estar morto. Inspirado no caso, John compôs a canção She Said She Said, que foi lançada no álbum Revolver, de 1966.

George disse que ajudou John a compor a canção de dois "pedaços" separados. Paul não aparece na canção, pois o baixo é tocado por George. Mais tarde Paul disse: " -Não estou bem certo, mas acredito que foi a única canção dos Beatles a qual não participei. Lembro-me que tivemos uma pequena discussão, ou algo assim, e eu disse: ' -Ora, fodam-se!'. E eles responderam: ' -Foda-se você! Nós vamos terminá-la sozinhos!'".

Hoje você vai ouvir uma demo da canção, quando ela ainda era chamada de He Said He Said. Ok, John!

He Said He Said (early She Said She Said - demo)

Monday, December 14, 2009

LOOK OUT!

Em março de 2005, uma famosa revista britânica sobre música, a Q magazine, nomeou Helter Skelter a número 5 na lista das 100 melhores canções de guitarra.

Paul certa vez ouviu que o conjunto The Who tinha feito uma canção mais alta, mais suja e barulhenta de todos os tempos, lançada num single de 1967 e chamada I Can See For Miles. Paul então foi ouvi-la e notou que ela não era tão barulhenta assim. Daí, compôs Helter Skelter, tipo como um troco ao The Who e tentando mostrar o que é verdadeiramente uma canção muito alta, suja e barulhenta.

Helter Skelter é o nome de um brinquedo britânico muito popular, que consiste em um tobogã em formato de espiral, porém pode significar também confusão, algazarra, desorganização. A canção de Paul, lançada em 1968 no Álbum Branco, é considerada uma canção precursora do que iria se transformar no hard rock / heavy metal dos anos 1970.

Charles Manson, dizia que a música Helter Skelter fazia profecias de uma apocalíptica guerra racial.

No projeto The Beatles Anthology Paul disse: "- Manson nos interpretou como ‘os quatro cavaleiros do Apocalipse.’ Eu ainda não entendo qual foi a jogada; é sobre a Bíblia, Revelação – Eu não li então eu não sei. Mas ele interpretou a coisa toda. Nós éramos os cavaleiros, Helter Skelter era a mensagem, e ele achou que podia sair e matar todos por aí.".

Entre os dias 9 de agosto e 10 de agosto de 1969, a "Família Manson" cometeu duas chacinas em Hollywood e escreveu nas paredes "Helter Skelter" com o sangue das vítimas. Quatro membros dela invadiram a casa da atriz Sharon Tate, então com 26 anos e esposa do cineasta Roman Polanski, com o único objetivo de matar quem lá estivesse. Sharon Tate, o produtor Wojtek Frykowski, Abigail Folger - herdeira de uma conhecida companhia do ramo do café - e o cabeleireiro Jay Sebring, que estavam na casa, foram amarrados e depois esfaqueados. Durante o julgamento de seus crimes, em novembro de 1970, Manson explicou sua interpretação de "Helter Skelter" na corte: "- Helter Skelter significa confusão. Literalmente. Não significa Guerra com ninguém. Não significa que eles irão matar outras pessoas. Apenas significa o que significa. Helter Skelter é confusão. Confusão está vindo rápido. Se você não vê que a confusão está vindo rápido, chame do que quiser. Não é minha conspiração, não é minha música. Eu escuto o que relato. Ela diz, ‘Apareça!’ ela diz, ‘Mate!’ Porque me culpar? Eu não escrevi a música. Eu não fui a pessoa que projetou isso na consciência das pessoas.".

John disse em entrevista à revista Rolling Stone em 1970: "- Costumávamos tirar sarro disso ou daquilo, de uma maneira não ofensiva, do que um intelectual via na gente ou um símbolo da geração jovem veria algo nisso…". E sobre a canção: "… Mas eu não sei o que ‘Helter Skelter’ significava, pra mim era só barulho.".

Curta Paul interpretando Helter Skelter ao vivo em 2005. Yeah! Paul!

Helter Skelter (live 2005)

Sunday, December 13, 2009

TAKE IT EASY

Everybody's Got Something to Hide Except Me and My Monkey é uma canção de John, creditada à dupla Lennon / McCartney. Ela foi lançada no Álbum Branco (White Album) no dia 22 de novembro de 1968.

O título da música é o mais longo de qualquer canção dos Beatles e tem origem de uma frase do Maharishi Mahesh Yogi, (exceto pela parte do macaco – “my monkey”).

A tradução literal do título dela é Todo Mundo Tem Algo Para Esconder, Exceto Eu E Meu Macaco. George disse que não sabia de onde o termo “macaco” tinha vindo. A interpretação mais comum é de que “macaca” era um apelido que John dava para Yoko.

Embora John tenha negado, o “macaco” do título é tido como referência à heroína como diz nas frases: “The deeper you go/the higher you fly/The higher you fly/the deeper you go” (“Quanto mais fundo você vai/mais alto você voa/Quanto mais alto você voa/Mas fundo você vai”) e “A monkey on the back” ou “Um macaco nas costas” era um termo jazzístico usado para o vício em heroína durante seu surgimento na década de 40.

Os trechos: “Your inside is out/your outside is in.” (“Seu interior está pra fora/Seu exterior está pra dentro”) completando com uma espécie de conselho, “Take it easy...” ou “Pega leve...” Reflete no fato de Lennon e Yoko Ono começarem a tomar heroína em 1968, mas eles alegavam usar para escapar da pressão dos outros em seu relacionamento.

Hoje você vai ouvir um ensaio dessa controvertida canção de John. Ok, boys!

Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey (rehearsal)

Friday, December 11, 2009

AND YOUR BIRD CAN... LAUGH?

Hoje você ouvirá uma pérola das gravações do Álbum Revolver, de 1966. Posteriormente essa tomada de And Your Bird Can Sing, com todos eles caindo na risada, foi incluída no álbum Anthology nº 2, de 1996. Porém, na que você vai ouvir abaixo há um pormenor: os canais das risadas foram colocados em evidência. Cool! Enjoy!

And Your Bird Can Sing (mix)

Wednesday, December 09, 2009

GOOD EVENING AND WELCOME TO SLAGGERS

You Know My Name (Look Up The Number) é uma canção dos Beatles composta por John, porém  creditda à dupla Lennon-McCartney. Ela foi lançada no lado B do single Let It Be / You Know My Name (Look Up The Number) em 6 de março de 1970, com a duração de 4:19. Gravada em 1967, durante as Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band Sessions, ela só seria lançada neste single, 3 anos depois.

Nessa época os Beatles estavam fazendo muito experimentalismo com um bom número de canções e técnicas de gravação. Paul disse na biografia Many Years From Now, de Barry Miles: "- John veio uma noite com essa canção que era basicamente um mantra, 'você sabe meu nome, procure o número.'. Eu nunca percebi o que ele quis dizer com aquilo, poderia ter alguma presença de Yoko, talvez. Era a idéia original de John e era toda a letra. Ele trouxe originalmente e ficamos uns 15 minutos pensando na estrutura, enquanto ele ficava meio fora do ar, e então nós dissemos, '- O que iremos fazer com isso então?'. E ele disse: '- Vamos fazendo, igual a um mantra.'. Então eu disse: '- Beleza, vamos fazer isso.'".

Na verdade a canção foi inspirada em um slogan que ficava em uma lista telefônica na casa de Paul, como explicou John em entrevista para a revista Playboy em 1980: "- Eu estava esperando Paul em sua casa, e eu vi a lista telefônica em cima do piano com a frase 'Você sabe meu nome, procure o número.'. Era igual a um slogan e eu logo mudei. Era para ser quatro tipos de som, e os acordes mudariam em instantes, mas nunca se desenvolveu, então fizemos palhaçada com ela.".

A estrutura de You Know My Name (Look Up The Number) consiste em cinco partes separadas. A primeira, mais convencional, traz o título da canção cantada por John e Paul, com o fundo de piano.

A parte dois, foi mais tarde editada por John, que repetia um vocal de apoio estilo Ska, parte esta que, foi restaurada em 1996 para o Anthology 2. Essa versão do Anthology 2 conta com 5:43.

A parte três era a sessão da boate, com John dizendo: "- Boa noite e bem vindo ao Slaggers. Apresentando Dennis O’Bell!".

O’Bell era um artista fictício interpretado por Paul. O nome era do produtor cinematográfico Dennis O’Dell, que trabalhou em Os Reis do Iê, Iê, Iê (A Hard Day's Night) e com John em Como Ganhei a Guerra (How I Won The War).

O'Dell mais tarde produziu o filme Magical Mystery Tour e se tornou o chefe da Apple Films. Após o lançamento da canção, ele recebeu muitos telefonemas de fãs dos Beatles levando ao pé da letra o convite da canção e alguns diziam, "- Eu sei o seu nome e agora tenho o seu número!".

A parte quatro, gravada como a última, (já que uma parte cinco foi adicionada em 1969 para o lançamento do single), era uma parte cômica ao estilo Monty Python, com sons de relógio cuco, gaita, bongos, piano, vozes incrivelmente engraçadas e outros efeitos da coleção Abbey Road.

A parte final era outro piano, estilo jazz, com trechos de vibrafone e vocais incompreensíveis. John está hilário! Traz também a participação de Brian Jones, dos Rolling Stones, que veio visitá-los na sessão e acabou fazendo um solo de saxofone.

A canção ficou intocável até 30 de abril de 1969, quando John e Paul voltaram a trabalhar nela para o lançamento, com a ajuda de Mal Evans e sem a participação de George e Ringo.

Em 1988, Paul, inesperadamente disse que esta era sua canção favorita dos Beatles, no livro The Complete Beatles Recording Sessions de Mark Lewisohn: "- As pessoas estão descobrindo os lados-B dos singles dos Beatles. Estão descobrindo faixas como You Know My Name (Look Up The Number), provavelmente minha canção favorita por ser tão insana.".

Os Beatles começaram gravando 14 takes em 17 de maio de 1967, com os instrumentos principais. Em 7 de junho voltaram e adicionaram um bom número de overdubs, o que tornou uma canção de 20 minutos. A instrumentação ainda trazia flautas e tamborim.

Na madrugada para o dia 8 de junho foi gravado mais alguns takes e o solo de saxofone feito por Brian Jones. Paul comenta sua participação na autobiografia Many Years From Now, de Barry Miles: “- Ele chegou no estúdio com um grande casaco afegão e estava constantemente tenso, inseguro, por estar numa sessão dos Beatles. Ele estava nervoso a ponto de tremer, acendendo cigarro atrás de cigarro. Eu gostava muito de Brian. Eu achei que seria uma ótima ideia trazê-lo talvez com uma guitarra e fazer ele tocar alguma levada, mas para nossa surpresa ele trouxe um saxofone. Ele abriu o case e começou a aquecer tocando um pouco. Ele era um saxofonista tão ruim, que eu pensei ‘- Cacete! Teremos apenas uma palhinha.’”.

A canção foi editada em 9 de junho de 1967 em versão mono. E em 30 de abril de 1969, foi feita uma reedição em estéreo, adicionando mais vocais e alguns efeitos. Alguns dos efeitos incluíam o som do assistente Mal Evans, cavando pedras com uma pá, além de vozes bizarras e palmas.

John reduziu o tempo de 6:08 para 4:09 e a canção quase foi lançada como Lado A do novo single da Plastic Ono Band. Ele queria essa com What's The New Mary Jane no lado B. Porém, mesmo após ter impresso selos e ser autorizado pela Apple Records, o restante da banda vetou o lançamento.

Três meses depois ela foi lançada como Lado B de Let It Be. A canção What's the New Mary Jane não foi oficialmente lançada até 1996 no Anthology 3, embora antes tenha aparecido em bootlegs. Clique aqui para ouvi-la. Foi a última canção inédita lançada pelos Beatles, (até 1995-1996, com Free As a Bird, Real Love e outras).

A primeira versão de You Know My Name em CD foi em 1988, na coletânea, Past Masters, Volume Two, com 4:19, igual ao single. Nas versões americanas, a canção veio erroneamente com o título: You Know My Name (Look Up My Number).

Que tal ouvir uma versão diferente das lançadas, com um tempo de 6:11? Listen and enjoy!

You Know My Name (Look Up The Number) (remix)

Tuesday, December 08, 2009

JOHN AND GEORGE: ROCK BAND!

Hoje postaremos a segunda canção remixada para o jogo Beatles Rock Band. A primeira, If I Needed Someone pode ser ouvida clicando aqui.

A canção de hoje é uma mixagem (provavelmente tendo como fonte a que Giles Martin fez para o álbum Love) de Tomorrow Never Knows, de John e a incrível Within You, Without You, de George. Enjoy!

Tomorrow Never Knows / Within You Without You (rock band mix)

Monday, December 07, 2009

BUNGALOW WITHOUT YOKO!

The Continuing Story Of Bungalow Bill é uma música de John, composta na Índia durante o período em que os Beatles lá estiveram em 1968, porém é creditada à dupla Lennon / McCartney.

Ela foi lançada no Álbum Branco (White Album) em 22 de novembro de 1968 e é uma sátira as ações de um rapaz americano chamado Richard A. Cooke III, conhecido como Rik, que estava indo visitar sua mãe, Nancy Cooke de Herrera, no retiro de Maharishi Mahesh Yogi em Rishikesh, na mesma época da presença dos Beatles. Rik, Nancy e muitos outros saíam em elefantes, munidos de espingardas para caçar tigres alegando ser uma tradição da Índia. Porém John desaprovara essa atitude do tipo “primeiro mata animais, e posa pra fotos como herói, depois medita e lava a alma perante aos Deuses.”

John, mais tarde, conta sua versão da história na entrevista para a Playboy: “ -Bungalow Bill, era sobre esse rapaz em Rishikesh, que atirava nos pobres tigres, e depois voltava para sintonizar-se com Deus. Eu combinei um personagem chamado Jungle Jim, os Bangalôs que ficávamos e Buffalo Bill e criei essa canção culminada em crítica-social à juventude e um pouco de sarcasmo também.”.

E agora um ensaio da canção The Continuing Story Of Bungalow Bill, do White Album, 1968, onde não há participação de Yoko Ono nos vocais. Ficou melhor? Listen!

The Continuing Story Of Bungalow Bill (rehearsal)

Saturday, December 05, 2009

LOVE YOU LIKE NO OTHER BABY

I Wanna Be Your Man é uma canção de Paul e John, cantada por Ringo, que foi lançada no dia 22 de novembro de 1963 no seu segundo álbum britânico, o With The Beatles.

Esta canção também foi dada aos Rolling Stones que a lançaram em single antes mesmo de aparecer no álbum dos Beatles, em 1° de novembro de 1963.

Clique abaixo e tente ouvir a canção interpretada por Ringo no dia 25 de junho de 1966 em Essen, Alemanha, portanto a aproximadamente um mês antes do último concerto ao vivo dos Beatles em São Francisco, USA. Can you hear me? What? Ringo!

I Wanna Be Your Man (live - Germany 1966)

Thursday, December 03, 2009

LOVE ME ALL THE TIME, GIRL

Na série MTV Unplugged, inaugurada por Paul em 25 de janeiro de 1991, ele cantou várias canções, entre seus sucessos e alguns dos Beatles lançando o álbum Unplugged (The Official Bootleg).

Deste dia memorável, você vai ouvir a canção que Paul compôs ainda nos Beatles chamada Things We Said Today, que acabou não figurando na track list final. Outras canções, também não incluídas, podem ser ouvidas clicando aqui e aqui também. Paul!

Things We Said Today (live MTV Unplugged 1991)

Monday, November 30, 2009

LET YOUR HAIR HANG ALL AROUND ME

O blog separou para hoje uma acoustic demo da canção Let it Down, de George, lançada no seu primeiro álbum após a separação dos Beatles em 1970, o All Thing Must Pass.

George havia ensaiado essa canção ainda na época dos Beatles e este ensaio já foi postado no blog. Basta clicar aqui para conferir.

E agora ouça a gravação da canção, oriunda das All Thing Must Pass Sessions. Ok, George!

Let it Down (acoustic demo)

Sunday, November 29, 2009

LITTLE GIRL

A canção Thank You, Girl inicialmente tinha o título de Thank You, Little Girl, e foi composta por John e Paul como um agradecimento às fãs femininas da banda, pois, como eles depois disseram, não tinham tempo de responder tanta carta e, assim, fizeram a canção e dedicaram a elas, como um agradecimento geral.

Thank You, Girl foi lançada em single no lado B de From Me To You, em 11 de abril de 1963 no REINO UNIDO e em 27 de maio de 1963 nos EUA. A canção também figurou no álbum americano The Beatles Second Album, lançado em 10 de abril de 1964 e só apareceria num álbum britânico quando do lançamento do Rarities, em 1978. Também como lado B de Do You Want to Know a Secret?, ela chegou ao posto de número 35, na Billboard Hot 100 na primavera de 1964.

Porém, hoje você vai ouvir a gravação de Thank You, Girl pinçada do álbum Los Beatles, lançado na Argentina, com o nome de Gracias, Nina. Reparem que no final da canção há um efeito de eco na voz de John, além de um destaque maior para a sua gaita. Enjoy!

Thank You, Girl (argentina)

Monday, November 23, 2009

ENGLISH SKY

Well, Well, Well é uma canção do álbum John Lennon / Plastic Ono Band, que conta com Ringo na bateria e Klaus Voorman, velho conhecido dos tempos de Hamburgo, no baixo.

O John Lennon / Plastic Ono Band é o primeiro álbum solo de John, de 1970, logo após da separação dos Beatles. O álbum é um trabalho impetuoso, áspero, apaixonado, belo e honesto. Muitos acreditam ser este o melhor álbum de John. Produzido por John e Yoko, e pelo controverso produtor Phil Spector, as suas canções são pautadas por acordes simples, instrumentação despojada e direta e tendo as letras recheadas por temas básicos como a morte, o isolamento, a raiva, a religião, as classes sociais, o medo e, claro, o amor.

A maioria delas foi composta durante o período em que John e Yoko faziam terapia primal com o Dr. Arthur Janov em seu centro na Califórnia, e essas sessões foram cruciais para a crueza das letras do álbum. Como consequência, o trabalho é uma jornada sincera e, não poucas vezes, angustiante, pela vida de John.

Well, Well, Well é a canção mais alta e a mais pesada do álbum e, junto de I Found Out, é caracterizada por distorções. É também a segunda canção do álbum em que é possível ouvir - em alto e bom som - os gritos de John, pois, segundo a terapia primal do Dr. Janov, o paciente é encorajado a reviver e a expressar seus sentimentos básicos, que, acredita-se, tenham sido reprimidos.

Ok! Primeiramente você vai ouvir uma demo da canção Well, Well, Well:

Well, Well, Well (demo)


E agora uma mix alternativa da canção. Ok, John!

Well, Well, Well (alternate mix)

Saturday, November 21, 2009

YOU RIGHT ME WHEN I'M WRONG

Maybe I'm Amazed é uma canção de Paul que foi lançada no seu primeiro álbum solo, McCartney, em 17 de abril de 1970, no meio de uma grande confusão que acontecia sobre a separação dos Beatles.

A canção é dedicada à sua mulher, Linda, que segurou todos os tipos de pontas e depressões de Paul após a separação dos Beatles. E não foi coisa pouca...

Posteriormente ela foi lançada em single, numa gravação feita ao vivo em 1976, já com o seu grupo Wings, chegando a figurar no top ten americano.

Ouça agora Paul interpretando Maybe I'm Amazed ao vivo, com sua banda Wings. Let's go, Paul!

Maybe I'm Amazed (live)

Friday, November 20, 2009

ALL HE NEEDED WAS LOVE

Quando John formou a banda, era nítida a sua firmeza em enveredar-se pelo rock'n'roll como instrumento da sua rebeldia e como moeda contra aqueles que o substimavam. E não eram poucos.

Episódio pitoresco foi a placa de ouro dada a sua Tia Mimi, no auge da Beatlemania, com os dizeres: "Você nunca vai ganhar dinheiro com uma guitarra.", frase que ela teria dito durante um dos diversos confrontos que tiveram, na sua infância e na sua adolescência. Porém, Mimi foi um caso a parte na vida de John e , entre brigas e cobranças, eles tiveram uma relação próxima e amorosa, pelo menos do jeito deles.

Mas, até mais ou menos o álbum  Help!, de 1965, os Beatles tinham sido "moldados" por Brian Epstein, seu primeiro empresário, em uma banda certinha, cheia de bons modos, garotos adoráveis que o papai deixaria a filhinha namorar, para assim conquistar um público "politicamente correto". Se soubessem o que rolava nos bastidores...

John diria mais tarde que aquilo foi um verdadeiro tempo de prisão, e que se sentia como uma pulga amestrada de circo... Essa imagem diferia muito do roqueiro de casaco de couro, botas de cowboy, que comia, brigava, fumava e se drogava no palco no início da carreira dos Beatles. Não foi à toa que, antes de completar 25 anos, ele tenha gritado a todos pulmões: "- Help!".

Assim, talvez possamos arriscar a dizer que o verdadeiro John, aquele dos primórdios da banda, veio a se reencontrar a partir do seu primeiro álbum solo de 1970 ao dizer: "- O sonho acabou.".

A partir daí o John melancólico, visceral, ativista, e nem um pouco preocupado com a exposição, começou a gritar seu verdadeiro eu para o mundo. E, literalmente, vociferou suas perdas, incentivado pelas sessões com o psicanalista Dr. Arthur Janov (terapia do grito primal), nesse mesmo álbum de 1970 (ouça Well, Well, Well e Mother). Aliás, Lennon já tinha reproduzido em 1969, na música Cold Turkey, os gemidos guturais de uma abstinência de heroína.

Estava de volta o John que sangrava e gritava suas dores a todos os ventos, até, também literalmente, sangrar pela última vez na porta do Dakota, exatamente quando voltava do estúdio onde cantou Starting Over...

Segue hoje uma demo da canção Love, do seu primeiro álbum após a separação dos Beatles: John Lennon / Ono Plastic Band, de 1970. Diferentemente dessa demo, a música foi lançada oficialmente com o piano no acompanhamento. Listen and enjoy!

Love (demo)


Wednesday, November 18, 2009

I DON'T WANT TO SAY GOODBYE

I Don't Want To Do It é uma canção de Bob Dylan que George gravou na época das All Things Must Pass Sessions, que viriam a originar seu terceiro disco solo, o primeiro após a saída dos Beatles, o triplo All Things Must Pass. Porém, I Don't Want To Do It não veio a fazer parte da track list do aclamado álbum de George, sendo lançada somente em 1984 na trilha sonora do filme Porkys Revenge e, posteriormente, na mesma versão, no álbum de 2009, o Let It Roll.

Ouça hoje uma gravação acústica da bela canção de Dylan, cantada por George, durante as sessões do seu álbum All Things Must Pass, de 1970. Ok, George!

I Don't Want To Do It (acousic version)