Monday, December 26, 2011

A MAGIC KISS

Bluebird é uma bela canção de Paul lançada no álbum Band On The Run em dezembro de 1973.

A gravação do álbum, que seria considerado um dos melhores da carreira solo de Paul, passou por várias peripécias e contratempos. Querendo gravar num lugar diferente dos seus primeiros álbuns, Paul pediu para a EMI enviar uma lista de todos os estúdios internacionais da gravadora (reza uma lenda que ele poderia ter gravado esse álbum no Brasil, porém o estúdio da EMI por aqui estava de mudança para outro endereço e não poderia receber o pessoal...) Então, Paul deparou-se com Lagos (Nigéria) e teve imediatamente a ideia de gravar na África.

Juntamente com o McCartneys, o guitarrista e pianista Denny Laine, o guitarrista principal Henry McCullough e o baterista Denny Seiwell tinham também a intenção de ir. Entretanto, poucas semanas antes da partida no final de agosto de 73, McCullough deixou os Wings na Escócia; Seiwell seguiu o mesmo caminho uma noite antes da partida. McCullough alegou que, sendo um guitarrista de formação no jazz, não conseguia tocar as canções sempre do mesmo jeito, levando Paul à loucura, por isso resolveu abandonar o barco. Seiwell preferiu voltar pros EUA e receber um salário melhor como baterista de estúdio, insinuando claramente que Paul era um tremendo mão-de-vaca. A banda tratou de se informar sobre o estado dos estúdios de gravação em Lagos antes da partida para a Nigéria em 8 de agosto.

Estes abandonos de última hora levaram apenas o núcleo da banda - Paul, Linda e Denny Laine - a aventurar-se em Lagos, juntamente com Geoff Emerick, antigo engenheiro de som dos Beatles que esteve por lá para gravar as faixas básicas devido aos obsoletos equipamentos de gravação encontrados nos estúdios nigerianos. Lá, Denny Laine tocou guitarra rítmica, Linda teclados e Paul se encarregou do resto. Há de se mencionar que Paul e Linda se aventuraram sozinhos numa noite em Lagos e foram assaltados, tendo os ladrões inclusive levando tapes de canções que Paul teve que regravar... Outro incidente foi um conflito com o músico de Afrobeat e ativista local Fela Kuti, que publicamente acusou a banda de estar na África para explorar e roubar música africana após a visita da banda ao seu clube. Kuti esteve até mesmo no estúdio para confrontar McCartney, que tocou suas canções para o músico nigeriano, provando que não continham nenhuma influência local.

O álbum Band On The Run foi um grande sucesso - alcançou o topo da parada norte-americana da Billboard em três ocasiões diferentes, e por fim ganhou platina tripla; já no Reino Unido, o disco passou sete semanas no pico da parada no meio do ano, tornando-se o álbum britânico mais vendido daquele ano.

E o blog separou hoje um ensaio de Bluebird, diretamente de 1973, Lagos, Nigéria. Enjoy!

Bluebird (rehearsal)

Thursday, December 22, 2011

DO WHAT YOU WANT TO DO

Que os Beatles sempre foram muito empenhados na inovação das suas músicas e nas suas gravações não é segredo. Praticamente isso começou com a distorção na introdução de I Feel Fine, acidentalmente provocada por John que disse: "- Dá para gravar isso?".

Mas se não fosse um sujeito que estivesse aberto à essas inusitadas solicitações, chamado George Martin, provavelmente muitas delas teriam ficado apenas na idéia. Ele sempre fez de tudo para inserir nas gravações os pedidos dos Beatles e jamais disse 'não' antes de tentar o experimento, por mais impossível que pudesse parecer. Ave George Martin! Há muita gente entendida que o defende como o quinto beatle.

Quando George, o Harrison, inseriu a cítara em Norwegian Wood, do Álbum Rubber Soul de 1965, a coisa decolou em vôos cada vez mais altos. Tanto que ficava cada vez mais difícil reproduzir ao vivo as novas faixas, um dos diversos motivos que puseram fim às turnês.

Aí veio o Álbum Revolver, de 1966, o grande salto. Na música Yellow Submarine o estúdio foi tomado pelos mais extravagantes objetos como banheiras, correntes, apitos, bumbos, - inclusive uma máquina registradora, que mais tarde apareceria na música Money do Pink Floyd (Álbum Dark Side Of The Moon, 1973) -, com os quais os Beatles e o seu séquito (Mal Evans, engenheiros de som, Neil Aspinall e até Patty Boyd) produziram os mais diversos e variados sons ouvidos naquela gravação.

Os metais de Got To Get You Into My Life, as guitarras invertidas de I'm Only Sleeping e as colagens de Tomorrow Never Knows, sem contar o maravilhoso quarteto de cordas de Eleanor Rigby, foram os pontos altos de um novo som que espantou o mundo.

É... Aqueles fedelhos que queriam apenas segurar na sua mão estavam deixando o ceticismo da crítica de queixo caído. E o resto da história sabemos muito bem.

Bom, é muito difícil proclamar o mais experimentalista dos Beatles. Assunto para discussões homéricas. Porém, é inegável que Paul foi o que mais se aventurou pelo panorama artístico de Londres nos anos 60 e absorveu muita coisa diferente. John, para mim, já tinha essa atitude de procurar novos sons e imagens desde que nasceu. George nunca acomodou e também lançou o seu experimental Álbum Wonderwall em 1968, composto para se tornar trilha sonora de um filme anos 60 de Joe Massot. E Ringo? Bom Ringo não se acabrunhava e nem ficava perdido quando precisava inserir a bateria nas músicas que lhe eram mostradas.

E assim viemos parar em 2000, quando Peter Blake (design da capa do Álbum Sgt. Pepper de 1967 - outro arroubo!) solicitou a Paul que ele criasse algo musical e com um clima, um espírito de Liverpool, para que fosse usado em uma exposição de arte na Tate Galeria. Paul não se intimidou e produziu o Liverpool Sound Collage, um EP com cinco músicas que usam partes de sessões de gravação dos Beatles na década de 60, além de uma colagem de sons feita na cidade natal deles, Liverpool.

E uma dessas músicas/colagens ouviremos aqui hoje: Free Now. Nela você perceberá os Beatles conversando em estúdio (logo no ínicio George dá instruções para a gravação de Think for Yourself dizendo: "- The bit that John finally got just after that. And we will do both of the 'do what you want to do'.") e também a participação da banda galesa Super Furry Animals. Som, muito som na caixa!

Free Now (collage)

Monday, December 19, 2011

I CAN FLY

E o Beatles Outtakes traz pra você a canção My Valentine, recente composição de Paul que sairá no seu próximo álbum em fevereiro de 2012.

Paul fez a canção para sua mulher Nancy Shevell e ele próprio a cantou durante o casamento dos dois. A cerimônia ocorreu no dia 9 de outubro de 2011, data em que John Lennon faria 71 anos. Paul!

My Valentine


My Valentine
(written and composed by Paul McCartney)

What if it rained?
We didn't care
She said that someday soon
the sun was gonna shine.
And she was right,
this love of mine,
My Valentine

As days and nights,
would pass me by
I tell myself that I was waiting for a sign
Then she appeared,
a love so fine,
My Valentine

And I will love her for life
And I will never let a day go by
without remembering the reasons why
she makes me certain
that I can fly

And so I do,
without a care
I know that someday soon the sun is gonna shine
And she'll be there
This love of mine
My Valentine

(instrumental)

What if it rained?
We didn't care.
She said that someday soon
the sun was gonna shine
and she was right
This love of mine,
My Valentine

Sunday, December 18, 2011

FAIR CAROL 2

Conforme a postagem do dia 17 de novembro de 2008, do Beatles Outtakes, com o título de FAIR CAROL, Paul realizou gravações do álbum Londow Town, de 1978, em 1º de maio de 1977 num iate chamado Fair Carol nas Ilhas Virgens.

Entre outras músicas, ele gravou Boil Crisis, não lançada oficialmente, a qual o blog volta agora por ter pesquisado e encontrado uma nova mix que vale a pena ouvir. Ok, Paul!

Boil Crisis (alternate mix)

Tuesday, December 13, 2011

Thursday, December 08, 2011

AND NOBODY'S THERE

O post de hoje, data em que John era assassinado há 31 anos atrás, relembra uma linda balada sua, que nunca foi lançada oficialmente. Essa demo de Mirror Mirror (On the Wall), cantada e tocada ao piano no seu apartamento do Dakota em 1977, tem o tom melancólico e uma letra que revela a sua infindável busca pela sua identidade, pelo seu porto seguro, um lugar em que fosse bem recebido e muito amado. Mais ou menos assim: "Olho para o espelho e não há ninguém ali... Apenas continuo fitando... Como pode ser? Sou eu? Sou eu?". Listen!

Mirror, Mirror (home)


Mirror Mirror
John Lennon

Sometimes I look in the mirror
There's nobody there
But I just keep on staring and staring
No, can it be, can it be, can it be?

And then I look in the mirror
And nobody's there
But I just keep on staring and staring
And no, is it me, is it me, is it me?